Insanidade é continuar fazendo sempre a mesma coisa e esperar resultados diferentes
Albert Einstein
É provável que você não se comporte na reunião de trabalho da mesma forma que age no encontro com os amigos, em um bar, após às 18:00. Também é possível que você não chame a atenção do filho do vizinho, em função de algo errado que ele esteja fazendo no elevador do prédio onde vocês moram, da mesma forma que você faria com o seu filho por alguma grande M que ele tenha feito em casa.
Nossos comportamentos são diretamente influenciados pelo meio em que estamos. Cada ambiente dita a maneira como vamos nos portar, ainda que não estejamos exatamente conscientes disso durante qualquer situação.
Neste artigo você vai ser guiado até o significado das ações. E vai ser levado as seguintes reflexões:
- Existem comportamentos bons e ruins?
- O que os comportamentos dizem sobre seus hábitos?
- Como sua produtividade e decisões podem ser afetadas pelo comportamento?
O que se entende por comportamento?
O dicionário nos brinda com a seguinte definição de comportamento:
Modo de se comportar, de proceder, de agir diante de algo ou alguém.Conjunto das atitudes específicas de alguém diante de uma situação, tendo em conta seu ambiente, sociedade, sentimentos.
Definições como essas nos levam ao entendimento de que comportamento é tudo o que é ação ou reação. É fruto do meio em que estamos frequentando. O ambiente limita o nosso comportamento, e praticamente, diz o que vamos fazer.
A menos que você esteja trabalhando como ator numa pegadinha do Silvio Santos, você não aparecerá numa entrevista de emprego, na Sul América, trajando apenas uma sunga de banho e havaianas.
Dificilmente você irá até a areia da praia de terno e gravata, em pleno verão carioca a 40 graus, para sentar na cadeira, tomar uma Heineken estupidamente gelada e depois dar um mergulho de roupa e tudo.
Mas, de repente, se você acabou de receber a notícia de que foi promovido ou conseguiu o emprego dos seus sonhos, logo após terminar o processo seletivo, e ainda de terno você está pertinho da praia, talvez a sua maneira de comemorar seja dar um mergulho - com toda aquela vestimenta - e comemorar o momento, da forma mais inusitada para alguns.
A psicologia nos ensina que comportamento é:
Um grupo de métodos ou reações das pessoas ao seu entorno (ambiente) em determinadas situações.
Portanto, o que fazemos é a pergunta que o comportamento responde. E essa ação é tudo aquilo que pode ser filmado, por exemplo. Se eu posso registrar, por imagem ou vídeo, isso é ação. Logo, pode ser chamado de comportamento, e para que este aconteça, depende de um contexto e lugar para ditar o que será feito.
Mas como os exemplos dados sobre usar terno na praia ou usar sunga na entrevista de emprego, será que existe comportamento bom e ruim?
Existe comportamento bom ou ruim?
Bater em alguém é bom ou ruim, na sua opinião?
Depende...
Se você é um lutador de boxe e está no ringue, competindo, bater é uma questão de obter um resultado, que no caso, é a vitória.
Mas se você parte para cima de alguém depois de um desentendimento, numa briga de trânsito, talvez bater na outra pessoa seja algo que demonstra total desequilíbrio emocional e falta de autocontrole.
Agir dessa ou daquela maneira tem hora e lugar. É claro que essa regra não necessariamente se aplica a pessoas que podem ter algum distúrbio psíquico, dependendo de cada caso. Porém, pessoas não portadoras desses distúrbios, normalmente, se adequam a normas de convivência da sociedade.
Muitas vezes vacilamos. Nos deixamos levar por nossas mais profundas e abruptas emoções explosivas e não nos policiamos. Gritamos onde não deveríamos gritar, conversamos onde seria necessário fazer silêncio, discutimos violentamente em lugares públicos protagonizando cenas lamentáveis.
Quando não utilizamos o nosso autoconhecimento para lidar com nossas emoções de maneira mais adequada para cada situação, ficamos sujeitos e reféns do descontrole, inconveniência e má conduta. Por isso, o que determina a percepção de inapropriado é agir ou reagir de maneira que não condiz com o ambiente e momento.
O exemplo que foi dado sobre o ato de bater, por exemplo, mostra que agir assim não é certo e tão pouco errado. E isso acontece com qualquer ação e reação que temos. Existe uma neutralidade sobre o que fazemos em si. O ato isolado não é nada fora de um ambiente, e como isso não é possível de acontecer, você nunca verá qualquer conduta sua ou de outras pessoas sendo realizada fora do meio e tempo. Portanto, a equação ação + ambiente (que é a realidade) está sujeita a julgamentos e adjetivos.
Quando certos comportamentos se tornam constantes, a ponto de se transformar em hábitos, passamos para uma esfera que pode sim nos levar a reflexões sobre bom ou ruim.
Comportamento e Hábito
Sempre que estou aguardando para ser atendido em uma fila, seja em pé ou sentado, eu tenho a mania de batucar minhas pernas, objetos próximos ou o ar, como se estivesse tocando uma bateria. Eu amo a música e tocar instrumentos para mim é um ritual, assim como ouvir música.
Porém, existem lugares e momentos em que fazer esse tipo de coisa não fica muito legal. As vezes eu nem percebo que estou fazendo até alguém chamar a minha atenção ou observar de longe, começar a rir e entrar na brincadeira.
Isso é um hábito. É o meu hábito. Na realidade, um entre vários que eu tenho.
Quando começamos a repetir as ações de forma frequente, podemos dizer que criamos hábitos para essas ações. Segundo a dicionário Michaelis o hábito pode ser definido como:
1 - Inclinação por alguma ação, ou disposição de agir constantemente de certo modo, adquirida pela frequente repetição de um ato. 2 - forma habitual de ser ou agir.Dicionário Michaelis
Levantar cedo todas as manhãs, levantar tarde todos os dias, assistir uma série na Netflix todas as sextas-feiras à noite, comer pizza todo final de semana, meditar sempre ao acordar, praticar a gratidão ao fim de todos os dias. Todos esses são alguns exemplos de hábitos que as pessoas podem adquirir. Perceba, que ainda assim, eu não questionei se são bons ou ruins, embora eu possa fazer esse apontamento.
Constatar se esses hábitos citados são maus ou bons é uma questão de percepção de cada um. Eu verdadeiramente acredito que seja algo particular de cada pessoa. Tudo depende da ótica que você dá para a situação, seus valores, o que você preza, suas preferências.
É claro que devemos sempre ter em mente que colhemos o que plantamos ou que a plantação é opcional, mas a colheita é obrigatória. Seus hábitos, sejam eles caracterizados como bons ou ruins, sempre vão ter alguma consequência para você ou para as pessoas ao seu redor.
Você pode escolher e tomar refrigerante todos os dias e aumentar significativamente as suas chances de ter aumento de peso, osteoporose e diabetes tipo 2, mesmo que esses efeitos possam acontecer a longo prazo. Ou pode optar por beber água ou suco de uma fruta que o seu organismo recebe melhor com doses moderadas de açúcar ou sem ele, e assim, diminuir a pressão arterial, melhorar o desempenho físico, cardiovascular e funcionamento do sistema imunológico.
O parágrafo anterior não foi feito para te dar exatamente uma dica de saúde e fazer você refletir sobre como, talvez, você precise repensar seus hábitos alimentares para se cuidar melhor. Ele foi escrito para focar que os hábitos, inevitavelmente, trazem consequências como resultado. Entender se essas consequências são boas ou ruins vai depender do que você acredita ser importante para você.
Já ouvi pessoas que prezam e realizam exercícios físicos diariamente dizerem que se deixarem de fazer exercícios em um só dia, matam todo o seu desempenho durante o dia, o que impacta negativamente seu humor e a satisfação delas ao longo das horas. Elas chegam a dizer que sem exercício físico não rendem, nada funciona a altura do que elas querem para elas. Isso porque fazer exercícios é importante para elas, é um valor muito forte que elas não querem abrir mão.
Também já ouvi o outro lado. E por mais absurdo que talvez possa parecer para você, tem gente que já me disse que não se importa de fumar dois ou três maços de cigarro por dia porque sabe muito bem que um dia vai morrer mesmo. Então, para ele, não importa se vai ser hoje, amanhã, se poderia viver mais ou menos. Se vai ser morte por câncer ou problemas pulmonares. Para ele, o valor de manter esse vício é mais alto do que o de viver bem e de longevidade.
Essa pessoa está errada? Pode ser que para você, sim. Mas na visão dela, não. E talvez ela não esteja nem ai para a sua opinião. É possível que ela tenha uma clareza de que o hábito do vício faz mal para a saúde dela, porém isso não é mais importante do que manter a dependência, no entendimento dela.
Os hábitos podem ser definidos como benéficos ou maléficos. No entanto, vão sempre depender do entendimento e significado que damos a eles. Ainda assim, por questões de normas culturais e sociais, existem situações, lugares, onde o bom senso pede a reflexão sobre executar ou não um determinado comportamento diante do contexto que se apresenta para nós.
O impacto do comportamento na produtividade e tomada de decisão
Quando eu tinha treze anos, iniciei um processo de muitas tonteiras que duravam horas e aconteciam repentinamente. Por vezes, estava assistindo alguma aula, e quando menos esperava, ao movimentar minha cabeça para um lado ou para o outro, começava a ver tudo girar.
A tonteira era muito forte, a ponto de me deixar com extrema dificuldade de caminhar de forma equilibrada e de até mesmo manter os olhos abertos, de tão incômodo que era. Eu simplesmente não tinha o menor controle sobre aquilo. Era torturante.
Depois de meses de consultas exames com diferentes profissionais para chegar a um diagnóstico que pudesse acusar o que aquilo se tratava, finalmente, se chegou a alguma conclusão: eu estava com labirintite aos treze anos de idade.
Uma doença, na época, mais comum em pessoas idosas. Muitas pessoas se espantavam quando conversavam comigo e eu contava o desfecho trazido pela conclusão médica. Mas essa era a realidade.
Embora não fosse possível bater o martelo, a principal suspeita para eu ter desenvolvido a doença seria a mesma que acontece, como uma das causas, com qualquer pessoa que tem labirintite: estresse.
Naquele ano, o colégio em que eu estudava havia reformulado o sistema de avaliação e passou a adotar um modelo de trimestres em substituição aos bimestres. Seriam três notas principais no boletim para cada disciplina e não mais quatro, no ano, como sempre estivemos acostumados.
Além disso, não haveria recuperação. A última chance de passar de ano seria em uma prova final, que só faria, o aluno que tivesse uma média das notas trimestrais acima de um valor X. Se esse valor de média das notas trimestrais não fosse atingido, o aluno estava automaticamente reprovado e sem direito a realizar a prova final, ou seja, a última chance.
Até aquela época, eu não sabia o que era fazer uma recuperação, mas o fato de ela não existir e de precisar ter uma nota mínima para realizar a final, me aterrorizava. Como na ocasião, minhas notas em matemática não eram grande coisa, isso foi o suficiente para me desestabilizar emocionalmente e me colocar sob crises de ansiedade e estresse.
Fui à final de matemática. Passei com tranquilidade e respirei aliviado. Mas o "estrago"já estava feito. Precisei iniciar um tratamento contra a labirintite e que foi bem sucedido. Já há muitos anos, as minhas crises foram bem controladas.
No entanto, me comportar de forma intensamente ansiosa e sob forte estresse teve como consequência uma doença que talvez pudesse ser evitada, se o meu emocional fosse melhor administrado para a situação apresentada naquele ambiente.
Comportamentos nocivos. Eles são perigosos para a produtividade. O ato de procrastinar é um dos maiores exemplos de como nossas ações ou falta delas podem arruinar nossas entregas, resultados e objetivos, sejam eles pessoais ou profissionais.
Procrastinar não é deixar sempre para depois algo que se tem totais condições de fazer aqui e agora para ficar à toa. É, também, optar por realizar primeiro algo que está abaixo na escala de prioridade ao invés de agir em prol de alguma coisa que deveria ser tratado como prioritário.
Por vezes, podemos justificar na falta de tempo a causa para não conseguirmos dar conta das tarefas que estão nas nossas mãos. E muitas vezes estamos verdadeiramente atarefados. Porém, é quando nos damos conta do que é prioridade e colocamos uma ordem de importância na lista de nossas atividades, que começamos um processo de matar a procrastinação pela raiz.
A procrastinação é um comportamento nocivo que afeta diretamente nossa produtividade. Desrespeita prazos, pode causar turbulências em relações interpessoais, pode ocasionar o aumento de custos indesejados e desnecessários, afetando diretamente a produtividade.
Outra atitude que é prejudicial ao bom desempenho é a quantidade de horas dormidas. O sono contribui para potencializar a nossa capacidade de atenção e memória. Se você tem o hábito de dormir menos de 7 à 8 horas por noite, você tem chances mais elevadas de impactar negativamente a sua produtividade.
Existe um experimento cientifico, realizado com 150 mil pessoas nos Estados Unidos, que mostrou que na média dessas pessoas, aquelas que dormiam menos de seis horas por noite tinham mais chances de ter derrame, enquanto as que dormiam mais de nove horas por noite também tinham as mesmas chances.
Esse experimento mostrou que as pessoas que dormem entre sete e oito horas por noite possuem menos chances de ter derrame.
Fazer exercícios físicos, ter otimismo e atitude positiva diante das coisas são comportamentos que influenciam diretamente a produtividade. Enquanto nos exercitamos ou agimos e pensamos de forma positiva há geração de noradrenalina, serotonina e dopamina, substâncias que quando liberadas no organismo tem efeitos como melhora do ânimo, energia, motivação, foco e capacidade de pensar e decidir. Juntas, elas também reduzem o estresse, a ansiedade e os maus hábitos.
Portanto, a falta desses comportamentos, gera desmotivação, afeta negativamente o humor, diminui o foco e o pensamento com clareza. Esses fatores levam a maior dificuldade na tomada de decisão, já que decidir, é algo que, naturalmente, se gasta muita energia.
Se prolongarmos muito para tomar decisões, logo isso afeta nossa produtividade drena-se uma energia além da conta para coisas que poderiam ser decididas em menor tempo, poupando-se do desgaste e salvando vigor para o longo do seu dia.
Decidir cansa. Por isso, a ciência, após muitos estudos, aconselha que as pessoas deixem para tomar as decisões mais importante no início do dia. É nesse momento, onde geralmente (considerando boas horas de sono), temos mais energia e melhor capacidade de decisão, pois estamos refeitos, com a cabeça fresca e pronta para pensar com maior clareza e de forma mais próxima da assertividade.
Ações como comemorar e exercer a gratidão, são ótimos aliados para gerar os mesmos benefícios trazidos pelo hábito da prática de exercícios físicos. E o contrário desses hábitos, trazem os mesmos efeitos negativos para a sua vida. Não há mágica, e sim ciência por trás disso tudo. É como nosso organismo, mente e corpo funcionam por meio das nossas atitudes nos meios em que estamos inseridos.
Por isso, estudos têm mostrado a importância de comemorarmos mesmo aqueles pequenos passos que damos para alcançar qualquer um de nossos objetivos. O tipo de comemoração você escolhe, mas é importante esse "autorreconhecimento".
O mesmo ocorre para o ato de ser grato. A ciência nos ensina, em estudos recentes, que quando reservamos um momento do dia para pensar sobre o que ou a quem somos gratos nas últimas horas e adicionamos uma justificativa sobre o porquê somos agradecidos por esses fatores, isso contribui, ao fim de um período de 30 dias, para que tenhamos uma mentalidade mais positiva diante da vida.
Eu espero que...
Esteja você onde estiver nesse momento, sofrendo influencias do meio enquanto lê a esse artigo, eu espero que eu possa ter trazido, de alguma forma, reflexões importantes sobre ações e reações.
O autoconhecimento sobre como respondemos aos estímulos externos nos ajudam a ter uma maior clareza sobre se os comportamentos que temos frente as situações da vida estão adequados, se devem ser melhorados ou mesmo eliminados.
Pense sempre em vigilância permanente a si: que comportamentos estão te edificando e o levam na direção de quem quer ser? Quais comportamentos não contribuem para a construção da pessoa que você quer se tornar?
Por Flavio Moreira

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