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Resolução de problemas e tomada de decisão: do que depende a qualidade do resultado?






Você sabe quantas decisões você toma por dia? Tem idéia de quais os problemas que precisa resolver no dia de hoje? Você acredita que tem dificuldades para lidar com essas questões?

Saiba que você não está sozinho. Tem muita gente por ai passando pela mesma situação todos os dias. Uns são mais bem sucedidos, outros menos. Mas o que fazer para gerir melhor a tomada de decisões que possuímos diariamente em nossas vidas pessoais e profissionais, que por sinal, se cruzam quase que o tempo inteiro? Bom… vamos ver se conseguimos chegar a alguma conclusão até o fim desse post.

Muita gente tem a mania de ver os problemas como algo ruim, chato, desagradável. Quantos de nós não fugimos de tomar alguma decisão simplesmente por não querer encarar a situação. Medo, raiva, constrangimento, fulga… Muitos podem ser os motivos que justificam esse comportamento.

Se você tem filhos, pense na seguinte situação: se você compra um doce que ela(e) adora, e deixa essa guloseima bem ao alcance da criança - com realmente livre acesso para ela -, quanto tempo você acredita que essa delícia dura embalada e intacta caso você precise se ausentar do local por alguns minutos? 10 minutos? 5 minutos? 1 minuto? Tempo algum?

É possível que quando retornar a sala, tudo o que você vai encontrar é o papel da bala ou chocolate devidamente amassado, pois o doce já foi prontamente devorado, mesmo que a sua ordem tenha sido COMO APENAS APÓS O JANTAR.

Muitas crianças tem dificuldades em controlar impulsos. Adiar a satisfação em prol de realizar algo necessário, porém não necessariamente tão prazeroso quanto comer o chocolate, é uma tarefa árdua para talvez grande parte dos pequeninos. E, também, de alguns muitos adultos.

Estudos realizados pelo mundo sobre controle de impulsos em crianças já demostraram resultados  que ilustram a inabilidade infantil (em muitos casos) para controlar seus impulsos e obedecer a ordem enquanto não acreditam estarem sendo observados.

A maioria das crianças cede ao desejo e quando o cientista sai da sala, após ordenar que a criança deve esperar a sua volta para comer o doce - e que se obedecer ganhará inclusive mais um -, come o chocolate e ignora a ordem dada e sequer se contém para ganhar o bônus caso tivesse aguardado a volta do moço.

Algumas crianças demoram mais para pegar o doce, nem todas agem de maneira tão imediatista. Parte delas, se contorce e pensa bastante antes de realmente ingerir a guloseima, mas no final, não tem jeito: o doce é isca mordida com certeza.

É claro, que algumas poucas crianças “sobrevivem”, e de fato, obedecem a ordem, adiam a satisfação, aguardando o retorno do cientista para comer o chocolate que está à vista, e de quebra, ainda ganham mais um doce como prêmio pela obediência.

Mas o que está em jogo nisso aqui?


É mostrar uma tendência de comportamento social, aqui em crianças, mas que serão futuros adultos com suas experiências adquiridas e padrões de comportamento repetidos. Alguns desses estudos retomavam a análise dessas crianças anos depois, quando já estavam na adolescência ou vida adulta. É então ai, que algumas tendências são percebidas.

Boa parte dessas crianças que não sabiam se controlar demonstravam dificuldades nos relacionamentos sociais, maior envolvimento com drogas e dificuldade para deixar o vício, maior inclinação para a delinquência e problemas de desempenho escolar. É sempre bom lembrar: crianças hoje, adultos amanhã.

Dentre as aptidões emocionais, está o controle de impulsos e este é parte integral do uso de etapas para resolver problemas e tomar decisões. Dois fatores tão presentes em nosso dia a dia e insubstituíveis. Adiar a satisfação do momento para fazer o que é necessário para só depois apreciar na melhor hora, nos ajuda a pôr as coisas nos eixos, nos tira da prisão, que sem perceber, nos colocamos, nos retira do papel de reféns de nossos desejos incontroláveis para nos tornar protagonistas e donos sábios de nossas ações. A experiência exemplificada mostra um simples chocolate, mas sabemos que na vida existem centenas de outras situações, que igualmente, nos colocam nessa ‘pressão"do impulso. 

Durante uma tomada de decisões, nos curvamos a uma necessidade inconsciente de escolher o que nos deixará mais confortáveis. E para tanto, às vezes produzimos justificativas estapafúrdias para avalizar o caminho escolhido, chegando, inclusive, a acreditar nelas como verdades incontestáveis.  Escola Nômade de Mentes Criativas 


Até mesmo o doce, se não controlado o impulso por comê-lo de forma desenfreada e em detrimento de alimentos mais saudáveis, pode levar a pessoa a um futuro quadro de obesidade e todos os outros problemas que uma doença como essa acarreta.

Entre as outras etapas para resolução de problemas e tomada de decisão estão o estabelecimento de metas, que nos dá um norte e detalha a intensidade e tempo de execução de alguma atividade para cumprir um objetivo, num período de 1 à 4 semanas (exemplo: durante as próximas quatro semanas, vou fazer aula de violão duas vezes por semana para cumprir meu objetivo de saber tocar uma música do meu artista favorito em até três meses); identificar ações alternativas, pois é importante ter planos B e até C caso as situações fujam do que foi prioritariamente planejado, mas que com flexibilidade para os imprevistos você saia do engessamento e possa trilhar novas possibilidades, sem deixar de resolver ou decidir algo; e prever consequências já que estamos o tempo inteiro sujeitos as interferências externas que fogem o nosso controle, mas que em determinados casos, nos demandam alguma ação para que  o que precisamos realizar, não fique pelo meio do caminho.

Estabelecendo metas

Se você não sabe para onde quer ir, qualquer caminho serve. Essa marcante reflexão trazida pelo clássico desenho Alice no País das Maravilhas nos faz pensar sobre como essa passagem pode ser tão verdadeira para a forma como levamos a vida.

Quando deixamos a vida nos levar, sem objetivos, metas e passos, simplesmente estamos como um barco à deriva. Os acontecimentos passam por nós e não decidimos nada a nosso respeito. Somos literalmente levados pelas decisões, mandos e desmandos dos outros, não exercendo o nosso protagonismo.

E deixa a vida me levar Vida leva eu!E deixa vida me levar, vida leva Zeca Pagodinho

Qualquer coisa que você imagine pode ser um problema, ainda que você não chame por esse nome. Pode ser a escolha da nova escola do seu filho, a compra de um novo carro, a dúvida sobre onde investir seu dinheiro, ingressar em um novo emprego depois de oito meses desempregado, entender por onde começar a arrumar um quarto extremamente bagunçado. Tudo isso pode ser caracterizado como um problema.

A estratégia que você irá utilizar para essas ou outras inúmeras questões não aqui mencionadas, é o que fará a diferença no resultado. As metas nada mais são do que o detalhamento de como você vai fazer para chegar ao seu objetivo, é aquilo que o torna mais próximo dele.

Quando você define prazo e intensidade à tarefa que fará para chegar até o seu objetivo, você torna de forma real o que deve ser de seu conhecimento para alcançar a sua realização, seja ela qual for.

O ideal é que a meta esteja visível, que ela esteja escrita em lugares a seu alcance e que facilitem a sua visualização o tempo inteiro. Vale espelho do banheiro com post it, notebook (também com post it), agenda, lembrete no celular, qualquer coisa que faça você lembrar das suas metas.

Metas dão CLAREZA. E isso é o que precisamos para decidir e solucionar os quebra-cabeças da vida.

Identificação de ações alternativas


Quantas vezes você não passou pela seguinte situação: planejou, anotou na cabeça, se programou e chegou na hora do vamos ver, não aconteceu nada conforme o que foi planejado.

Pois é... Como você já deve saber, esse não é um "privilégio" apenas seu. Provavelmente tudo mundo já passou ou passa por isso o tempo inteiro. Nem sempre a culpa é exatamente sua. Não quer dizer, necessariamente, que seu plano era ruim. Mas não ter uma alternativa, isso sim, é culpa sua.

Ter em mente uma segunda, terceira, quarta e quantas outras formas de agir forem necessárias para resolver um problema é fundamental para não estagnar e ver a coisa toda crescer diante de seus olhos.

A nossa natureza humana nos coloca como adaptáveis. Sim! Nós podemos nos adaptar as situações ainda que você não concorde com essa afirmação, isso é cientificamente comprovado, essa capacidade de se moldar as diferentes situações é uma habilidade humana.

Foi essa capacidade que ajudou o homem a se adequar e sobreviver ao longo da história do planeta, e por isso, é inegável a existência dessa virtude em nós.

Um assunto em alta atualmente, e que pode explicar toda essa constatação, é a neuroplasticidade que significa a capacidade do sistema nervoso de se moldar estrutural e funcionalmente durante o desenvolvimento neural e quando passa por novas experiências.

Portanto, quando estamos inseridos em algum problema, temos a capacidade de nos adaptar ao que acontece, refletir e encontrar maneiras para configurar saídas que nos levem a alguma solução. 

O seu problema pode ser não gostar da cidade para onde você acabou de se mudar. Você acredita não estar adaptado a ela. Tudo o que você quer é se mudar de lá o quanto antes, sem nem mesmo dar a chance de encontrar o que dentro daquela situação, pode ser um convite para algo que desperte seus interesses e o faça passar por aquela fase de forma mais agradável.

De repente tem um restaurante que você ama almoçar nessa cidade, pessoas receptivas, uma vida noturna mais tranquila e que era o que você sempre quis. É quando, então você começa a tirar o melhor das experiências que aquele lugar pode proporcionar para você. Quando perceber, você já estará integrado, adaptado.

Existem, também, aquelas situações em que somos pegos de surpresa total, e ainda assim, nos será exigido tomar uma ação alternativa bem ali na hora, na cara do gol.

É quando entra em cena nossa capacidade de improviso, tão importante para nos tirar de situações difíceis, de tomar decisões aparentemente desconfortáveis e solucionar adversidades muitas vezes consideradas impossíveis.

A comédia contemporânea nos ensina que o improviso é a chave para fazer a virada em muitos jogos da vida. Não são raros os casos em que o ator de stand up comedy arranca os maiores picos de risada justamente num momento improvisado.

A previsão de consequências


Entre as tantas coisas desagradáveis no mundo, não medir as palavras e ações talvez seja uma das experiências mais dolorosas para nós.

Certas coisas não devem ser ditas em alguns momentos, assim como outras tantas deveriam ser ditas em um dado instante e não o são. O ato de não agir quando deveria, também traz seus resultados e podem ser tão ruins quanto ações descabidas em uma circunstância.

Prever as consequências de nossos atos nos permite medir ações futuras de modo a minimizar ou eliminar arrependimentos, desentendimentos e desconfortos.

É jogar limpo consigo mesmo e reconhecer o que não cabe em você e a você em certas situações. Porque depois, pode-se ter que lidar com experiências que você não quer viver, com gente que não merece a sua consideração. Ou até, pessoas que não merecem ouvir e ver a forma como você reage em relação a elas em função de alguma coisa que não te agrada.

Quando prevemos as consequências, estamos pelo menos, evitando criar o problema do problema. Estamos criando meios para decidir melhor. Nesse momento, criamos mecanismos para viver melhor com o outro e também exercer empatia. 

Este ponto tem alguma relação com frear impulsos, pois a impulsividade não respeita as consequências de nossos atos e isso cria situações que podem ser irreversíveis.

Decisões sempre vão ter impactos positivos e negativos. Perde-se por um lado, ganha-se por outro e isso faz parte do jogo da vida. O importante, é que as partes interessadas se entendam, que no fim das contas haja benefícios para ambos, ainda que existam as perdas. Que haja conforto no que foi decidido.

Escolher é focar, focar é abdicar, abdicar é perder Murilo Gun

Em certas situações, a decisão pode ser vista, para uma das partes, como algo injusto e a derrota é por ele admitida como maléfica. Mas na verdade, até na pior experiência aparente, algum traço positivo pode ser extraído. Tudo depende do olhar que damos ao que nos acontece.

O mundo do homem feliz é diferente do mundo do homem infeliz Ludwig Wittgenstein

Suas definições de decisão e solver trouble foram atualizadas


Portanto, para ser um bom solucionador de problemas e tomador de boas decisões, controle seus impulsos para não ser refém de maus hábitos que jogam a qualidade das resoluções lá para baixo. Tenha metas para te guiar, detalhadamente, de onde você está para onde você quer estar. Identifique ações alternativas para ser e ter flexibilidade e não se tornar o trava tudo da sua vida, dos outros e dos processos. Antecipe as consequências das suas escolhas, na sua vida primeiro, mas não deixe de avaliar isso também na vida das demais pessoas.

Usar as etapas de resolução de problemas e tomada de decisão é uma das aptidões cognitivas que tem relação direta com algumas das aptidões emocionais, que também serão abordadas em um futuro artigo aqui no blog. É um dos sinais do que chamamos de inteligência emocional.

Por Flavio Moreira

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