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O poder da pergunta para a autoconsciência e gestão das emoções




Acostumados a responder e ter a solução dos problemas na ponta da língua, eu te pergunto: para onde foram parar as boas perguntas?


Em uma pesquisa realizada em 2015 pela Harvard Business School, foi verificado que crianças com quatro anos de idade fazem muito mais perguntas com "Por quê"e "Por que, não?" do que em qualquer outra fase da vida mais a frente.

Para o nosso processo de consciência e cuidado das emoções, perguntar pouco ou não perguntar são péssimas escolhas. 

Mas por que a escassez de perguntas prejudica tanto a autoconsciência e gestão das emoções?

Talvez o motivo pareça bastante óbvio, porém é provável que passe desapercebido por nós no dia a dia: a reflexão é o segredo e o que precede a gestão emocional.

Existe uma cultura global que privilegia as respostas e a qualidade delas. Desde crianças somos estimulados e premiados por dar boas respostas. Se respondermos rapidamente então, nem se fala.

Nas empresas, a pressão por solução coloca diretores, gerentes, supervisores e colaboradores em uma forte busca pela resposta. Quem a encontrar, ganhará o dia, a promoção, o reconhecimento e assim, fomos acostumados a privilegiar a boa resposta.

No entanto, são as perguntas que nos aproximam de uma boa tomada de decisão e solução de problemas. A qualidade da pergunta coloca a mente para pensar e pode expandir horizontes, criar possibilidades e lançar o desconforto que pode levar para uma solução muito mais interessante.


A urgência pelas respostas nos afasta das boas perguntas e isso empobrece a qualidade das decisões que tomamos e das soluções que damos.

Mas é quando paramos para refletir e nos reservamos no direito do tempo do pensar, perguntar, que ganhamos benefícios que vão além das decisões nos escritórios, aulas e sobre onde investir ou não o dinheiro no próximo mês.


A autoconsciência e a gestão da emoção


Reconhecer os nossos sentimentos no momento em que eles acontecem. Isso é autoconsciência. É a autoreflexão da mente ao investigar nossa emoções vivenciadas que nos leva a vigilância do que sentimos.

Depois que estamos cientes sobre o que estamos sentindo, podemos processar isso de uma forma que nos permita gerenciar melhor o que ocorre dentro de nós, procurando o equilíbrio emocional. Essa estabilidade nos coloca numa posição de: nem triste o tempo todo, porém sem ser feliz em todos os momentos.

Só podemos gerenciar de forma competente as nossas emoções se soubermos reconhecer o que sentimos e por que sentimos. O desequilíbrio emocional ocorre quando não coordenamos bem essas partes.


É aquele vizinho que sai gritando palavras horrorosas contra a esposa, de dentro do apartamento, e o condomínio inteiro escuta. É o estudante que tirou a dúvida dos colegas em sala, e é referência daquela matéria, mas que chegou na hora da prova, ficou tão nervoso, que teve um branco que o tornou incapaz de responder as questões. É o homem que foi fechado por outro carro na avenida, não deixou barato e saltou de seu veículo para dar um tiro no motorista que o "provocou".

Por piores e mais dramáticos que alguns exemplos acima sejam, situações como essas são cotidianas. Repudiamos, julgamos, mas o que é feito para reverter casos como esses?


O papel das perguntas no processo de autoconsciência


A reflexão é o que torna possível o reconhecimento do que sentimos. Não há processo de autoconsciência, um dos pilares da inteligência emocional, sem que sejam feitas perguntas a si mesmo. 


  • O que estou sentindo?
  • Que pensamentos me ocorrem neste sentimento?
  • Quais reações tenho quando sinto isso?


Essas são perguntas que fazem parte do repertório de questionamentos para a autoconsciência.

Da mesma forma, e como passo seguinte, o cuidado com as emoções sentidas também possui suas reflexões como parte do Currículo do Eu


  • Quais sentimentos negativos tenho sentido?
  • O que está por trás desses sentimentos?
  • O que posso fazer para lidar de forma diferente quando os sinto?


Perceba que as perguntas são simples, mas poderosas na função de autoreflexão, que nos coloca como pensadores de algo interior. Nos impulsiona a pensar, sobre o que talvez para muitos de nós seja extremamente negligenciado, que são nossas emoções e sentimentos.

Esses questionamentos nos levam a análise necessária para nos fazer pensar antes de agir. Algo tão fundamental dentro do campo da inteligência emocional que faz a diferença entre escolhermos o caminho de grandes estragos ou a prudência.


Ao pensar sobre essas perguntas nós temos a chance de ressignificar nossos pensamentos, crenças e passamos a criar a oportunidade de dar um outro rumo para as situações que vivemos.

É um exercício que pode ser feito diariamente. Um dever de casa para antes de dormir. A última conversa do dia, aquela que devemos ter com nós mesmos.


O benefício da gratidão por meio das perguntas


Ainda sobre o poder da reflexão sobre nós mesmos, mais uma informação. 

Nos últimos anos, muitas já são as pesquisas realizadas que mostram os benefícios do exercício da gratidão como artifício para a mudança de mindset e a criação do olhar que contempla o lado bom da vida e minimiza o olhar depreciativo e negativo para os eventos vivenciados.

Em um dos estudos, foi cientificamente verificado, que pessoas que anotam, no fim do dia, pelo menos três motivos pelos quais são gratas, naquela data, e respondem o motivo pelo qual elas são gratas (em cada um deles), após 30 dias, já começam a experimentar o progresso de uma mente mais positiva frente as situações cotidianas e enxergam um outro lado para os acontecimentos que não seja direcionado para o negativismo.


Pelo que ou por quem sou grato no dia de hoje?

1. ______________________________ Por que? ________________________

2. ______________________________ Por que? ________________________

3. ______________________________ Por que? ________________________

São, portanto, pessoas que se percebem mais felizes. 


O que começa, hoje, na sua vida?


A vigilância de nossos sentimentos e o cuidado com as emoções são exercícios constantes. O tempo inteiro a vida nos testa com situações e momentos agradáveis ou desagradáveis. 

Existem coisas para nos encher de alegria e euforia e outras que nos despertam os mais profundos sentimentos de desconforto e tristeza. Cabe a nós direcionar como vamos interpretar o que acontece e como vamos lidar com as emoções e sentimentos provocados.

Sentimentos positivos e negativos devem ser vividos normalmente, mas é o equilíbrio que damos a eles que marcará a forma como levamos a vida

As perguntas são essenciais para entender o que sentimos, por que sentimos e como vamos agir. Elas tem o poder de nos levar a um processo de conhecimento interior que terá reflexo em como interpretamos os acontecimentos e lidamos com as pessoas, podendo determinar o sucesso profissional, das nossas relações e com nós mesmos.

E você? Como se sentiu no dia de hoje?


Por Flavio Moreira


Imagem de Skeeze por Pixabay

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